por Leandro Ziotto, convidado pelo blog Develop
Recentemente, presente a uma dessas palestras e rodadas organizadas em universidades e em outras, mais precisamente num evento que estava ocorrendo na Livraria Cultura, chamada Semana do Empreendedorismo Criativo, pude perceber que a presença de pessoas mais jovens (OBS: tenho apenas 27 anos, pois falando assim, pareço ter 88 anos né.) está crescendo, e acho isso legal pois mostra que a minha geração e a mais nova estão buscando informações com mais credibilidade do que as que temos de fácil acesso na internet. E o que me agradou é que todos, alguns até bem jovens mesmo, bem atentos e armados com seus IPads e IPhones, tuitando, postando e comentando furiosamente enquanto assistiam às palestras de dezenas de especialistas. Ao final da palestra, invariavelmente o apresentador perguntou: – Alguma pergunta? E a resposta foi: “Silêncio.” Ninguém. Nada. E assim foi, de palestra em palestra. Ninguém nunca perguntava nada.
Eu achei muito estranho, pois eu tinha várias perguntas pra fazer e na verdade sempre fui participativo nesses tipos de palestras fazendo perguntas, questionando. Pela primeira vez não fiz qualquer pergunta. O silêncio causou tão mal estar que um dos organizadores para não ficar chato inventou umas perguntas para preencher espaço. Foi ai que tive a brilhante percepção: As pessoas que assistiam as palestras eram de uma nova geração, a Geração T. “Tê” de testemunho, de texto, de twittar.
“Sou testemunha de tudo e como não sou egoísta compartilho tudo com todos, mas não tenho opinião sobre nada.”
A geração T dedica-se a contar para os outros o que viu e repetir a opinião de terceiros, enquanto permanece incapaz de analisar, comparar, julgar e de emitir opiniões, qualquer opinião. Mas se engana quem pensa que a ‘geração T’ é composta exclusivamente de gente que nasceu entre o ano x e o ano y… É claro que a quantidade de jovens é muito grande, mas ela generosamente engloba gente nascida desde 1950…Infelizmente!!!
Um estudo que mostra que nos 40 mil anos que se passaram desde o momento em que o homem desceu das árvores até inventar a internet, a humanidade produziu 12 bilhões de gigabytes de informação, algo como 54 trilhões de livros com 200 páginas cada. Agora veja esta: somente no ano de 2002 produzimos os mesmos 12 bilhões de gigas! Geramos num ano o mesmo que em 40 mil anos… Em 2007 foram mais de 100 bilhões de gigas! E em 2012 serão alguns trilhões! Produzimos informação numa velocidade cada vez maior enquanto inventamos ferramentas que facilitam o acesso essas informações.
Mas de que adianta ter acesso às informações se não temos repertório para dar uma opinião nossa, própria? Quando foi a última vez que você colocou algo ou expressou algo 100% seu, original, sem citações, alguma opinião sua, no Facebook, ou Twitter ou qualquer outro meio de mídia? Mas quando foi a ultima vez que compartilhou a ideia de alguém?
O resultado é a geração T, que sabe tudo que acontece, mas não tem ideia do que “por que” acontece e qual será a consequência. Entregam-se à tecnologia de corpo e alma, como vending machines, aquelas máquinas automáticas de vender refrigerantes em lata, sabe? Distribuidores de conteúdo de terceiros, focados no processo de distribuição, mas sem qualquer compromisso com o conteúdo distribuído.
Acho muito bacana, na verdade acho fantástico o poder que temos hoje nas mãos com a internet e ver as pessoas querem compartilhar ideias, fazer coisas boas, mas compartilhar por compartilhar enfraquece o próprio conceito que a palavra tem. A geração T não pratica curiosidade intelectual, só a curiosidade social. E isso é perda de tempo.
Leandro Ziotto, jovem administrador de empresas, pós-graduado em Gestao Empresarial, bom filho, amigo leal, otimista, bem humorado, insatisfeito crônico e sonhador.











